segunda-feira, 2 de março de 2009

Ser cidadão

Ao lançarmo-nos no desafio de abordar o tema, não pretendemos e nem teríamos a capacidade de esgotá-lo, vez que a sua abrangência, como veremos, vai além do simples exercício de direitos perante o Estado legalmente constituído. No nosso entendimento, nos dias de hoje, ganha novos contornos e amplitude, exigindo do novo cidadão uma atitude permanente e consciente no plano coletivo e também na sua individualidade. Deve ele, no seu dia-a-dia, exercer de fato os seus direitos, mas também tem que se sujeitar ao cumprimento de deveres perante a sociedade que integra.
As ruas sujas, os terrenos baldios, os bens públicos danificados pela ação de vândalos, as agressões contra o meio ambiente, os tributos que não são pagos, o desrespeito às leis vigentes e tantas outras coisas fora de ordem são fruto da omissão e negligência de quem não quis ser cidadão. É resultado daqueles que só sabem cobrar, mas se negam a oferecer a sua contribuição.
Do jeito que as coisas andam até parece que ser cidadão é vestir uma camisa de conveniência, que se põe e tira a qualquer momento, quando o interesse assim desejar. Quando preciso de algo, visto esta camisa rapidinho e logo vou me apresentar: “Sou cidadão, exijo os meus direitos!”. Nessa hora vale tudo, botar a boca no mundo, falar das autoridades, protestar e ser visto como o lesado em seu sagrado direito. Quando é ao contrário, disfarço, tiro essa camisa de conveniência, e saio de fininho. Não é comigo a história!
Esquecemos que para cada direito corresponde um dever. Que a vida é uma via de mão dupla. A dualidade está em tudo que se possa sentir, ver e imaginar. Não seria, então, diferente no exercício da cidadania. Poderíamos (ou devemos) dizer: “Sou cidadão, tenho direitos a exercitar e deveres a observar!”. Tal qual o exemplo do beija-flor (da história da floresta em chamas), devemos dar a nossa contribuição à sociedade que pertencemos, ao lugar em que vivemos e ao novo mundo que sonhamos encontrar. Ele é resultado do esforço e da parcela de contribuição de cada um que dele toma parte.
Assim, que aprendamos a ser cidadão. A partir de então tenhamos uma atitude permanente em face dos nossos compromissos. Aliás, compromisso é para quem tem, e quem tem, tem uma obrigação a zelar. Vamos nós, sempre, em ato contínuo, sonhar e fazer acontecer esse mundo novo que todos nós vivemos a buscar.
Lembremo-nos, sempre: “Sou cidadão, tenho direitos a exercitar e deveres a observar!”. Essa a nova expressão que devemos incorporar a nossa vida, que como cantiga de grilo, iremos dizer pela vida inteira.

PEDRO SOARES NETO
psntga@hotmail.com

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